Ouçam essa música lendo o texto: Yellow do Coldplay (sempre lembro do meu avô)

Hoje fiz uma coisa que há muito tempo não fazia, fui para a sala, sentei ao lado da minha avó e fomos conversar sobre tudo que já aconteceu a algum tempo atrás. Com tanta correria do dia a dia acabamos esquecendo do quanto é importante ficar ao lado das pessoas que amamos e que contam histórias maravilhosas de suas experiências de vida. Ela me contou de como foi sua infância, como foi o dia do seu casamento (já ouvi essa história várias vezes, mas é tão gostosa que nunca vou me cansar de ouvir), como foi ganhar seus quatro filhos sozinha, porque meu avô precisava sair para trabalhar e, muitas vezes, o serviço era longe e ele não voltava no mesmo dia e na roça não havia vizinhos perto. Do quanto tudo era mais difícil. Fico imaginando que eles viviam a luz de lamparina (porque nem velas existiam nessa época), como eles conseguiam? E o que mais me admira é como ela conta que eles eram felizes. Fico imaginando também, o quanto somos dependentes de nossas tecnologias, que ao mesmo tempo são necessárias, mas fazem com que nos distanciemos mais e mais das pessoas que tanto amamos. Falamos do falecimento do meu avô, isso já faz mais de vinte anos, e toda vez choro muito. Eu tinha só quatro anos, mas me lembro de tudo, de cada detalhe, isso dói tanto, porque até hoje sinto a presença dele em todos os lugares. Em tudo que faço sei que ele está ao meu lado, me dando forças. E sei que hoje, se ele estivesse aqui, teria orgulho de mim. Acho que eu fui muito sortuda, porque Deus ainda me concedeu a oportunidade de viver com ele quatro anos da minha vida, e sou muito grata por isso. Aprendi muito com ele. A como ser correta, justa com tudo e todos, a ser honesto acima de qualquer coisa. A respeitar todos, independente de raça ou religião, afinal de contas, isso não define ninguém. Meu avô e minha avó, foram meus pais, que juntamente com minha mãe, me fizeram uma pessoa de caráter, fizeram de mim uma pessoa que pensa mais no próximo do que nela mesma. Desde que voltei para casa (pois, para quem não sabe, morei um ano fora), ouvi muitas críticas, que deixei meus sonhos por minha família, não deixei meus sonhos, simplesmente mudei a direção deles. Porque, eu não sei até quando vou estar aqui para poder aproveitar as pessoas que são minha base, são minha direção. Então, quando resolvi voltar, voltei por vontade, voltei para correr atrás de novos sonhos, não abandonei velhos sonhos, eles estão aqui, só mudei a forma de correr atrás deles. Simplesmente, decidi ser feliz ao lado de que realmente se importa, preocupa, e acima de tudo me ama. E desde que voltei, comecei a mudar muitas coisas em mim, comecei a preocupar com coisas e pessoas que realmente valem a pena, deixei de ouvir a opinião e conselhos de quem não sabe nada sobre minha vida, que não sabem que no momento em que eu e minha mãe mais precisamos, foram meus avós que nos acolheram. Acho que voltei na hora certa, porque minha prioridade hoje é ser feliz, perto de quem eu amo e que me amam. Não me arrependo de nada e não acho que foi uma decisão precipitada. Porque, até hoje lembro do tchau que eu voltei para dar para meu avô, e esse foi a última vez que pude ouvir “Deus te abençoe, vai com Deus também”, e eu acho que são essas pequenas coisas que realmente importam, são essas lembranças que vou levar para sempre, última imagem do meu avô vivo. Por mais tempo com a nossa família, por mais tempo para ouvir histórias, por mais tempo para o amor, por mais tempo!


2 Comentários

  1. Lili, to com choro travado na garganta. Menina, que texto emocionante.

    Me identifiquei em algumas partes, outras concordo demais. Como o fato de a tecnologia nos distanciar. Também fico pensando como era difícil viver no passado, sem tudo isso. Viramos tão dependentes né.
    Também adoro ouvir histórias do passado que meus pais contam. Infelizmente, só tenho minha avó materna viva, e essa, é doente a vida inteira, então não tem histórias para contar, não é uma pessoa sociável, uma pena. Sinto falta dessa relação de avós, pais e netos, sabe.

    Adorei ler esse texto e saber um pouquinho mais sobre você, uma parte tão linda. O que fica por dentro.

    Beijos,
    www.gabydahmer.com

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    1. Ai Gaby, que lindo do seu comentário! Fiquei super feliz em ver que você gostou! Muito obrigada por estar sempre por aqui tá! Um beijo enorme sua linda!

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