Naquela manhã acordei com a sensação que faltava algo em minha vida. Tudo espalhado no quarto. Tudo como havia deixado na noite anterior. Cheguei tão tonta com tudo que havia acontecido que joguei tudo para um lado e dormi como estava à única coisa que me lembrei de tirar foi meu all star velho e surrado. Faltava você. Falta seu bom dia que sempre me acordava, antes de ir para a aula. Era assim todas as manhãs. E quando olhei no relógio percebi que estava atrasada e com certeza chegaria atrasada para o primeiro horário. Aliás, nem queria ir. Teria certeza que encontraria com você e isso eu não queria. Você teria certeza como eu estava mal e você estaria lindo como sempre, esbanjando alegria. Essa seria uma realidade que acabaria ainda mais com meu dia. Naquele dia além de atrasada teria que ir sozinha também. Mudei de rota, coloquei o som que tanto ouvia nos últimos dias – velha e louca da Mallu Magalhães – a música representa bem tudo que não sou, mas mesmo assim ainda me identificava com ela. Era difícil de acreditar em mim. Eu sei. Mas sempre fui tão sincera com você, que isso surpreendia até mesmo a mim. Nunca fui assim. Demonstrar que sinto algo então, garoto nenhum nunca teve esse privilégio, só você! Mas você não acreditava. Sabia da imposição da minha família e mesmo assim insistia em ficar com você. Não sei por que, mas o que sentia era diferente, maldito sentimento. Odeio sentir tudo, ainda mais o que sempre disse para minhas amigas: “amar, eu? Que isso. Isso é pra vocês!” E ouvi tanto delas quando começamos, “quem disse mesmo que não amaria?” Mas, era um sentimento diferente, não só amor. Era confiança, respeito, cumplicidade. Sabíamos exatamente o que queríamos dizer um ao outro só com um olhar. Eu sempre muito falante, você sempre na sua. Eu com meu blog, com meus livros e você com suas músicas. E foi assim, até as desconfianças e o ciúme tomarem conta do nosso relacionamento. Maldito ciúme, quem foi o inventor desse sentimento tão medíocre? E assim vieram as primeiras brigas. Você com seu orgulho e teimosia e eu com minha mania de falar tudo que sinto e penso no impulso. Aos poucos nosso relacionamento foi se tornando mais complicado e difícil. Não terminávamos. Mas não estávamos felizes, por mais que o sentimento verdadeiro estive ainda dentro de nós. Na noite anterior, antes daquela festa, tivemos uma conversa definitiva e que talvez não tivesse o fim que queríamos. Mas era necessário. Decidimos terminar, você decidiu. Que isso fique bem claro. Você disse que tinha feito muito e eu nada. Você disse que lutou sozinha e eu sempre permaneci indiferente. No fundo você sabia que não era verdade, mas eu não discuti, aceitei. Era normal, eu nunca fui de pedir muito, implorar pra você ficar, não mesmo. Meu coração já havia quebrado várias vezes pra eu deixá-lo aos pedaços de novo, não estava prepara para reconstrui-lo. Você se foi. Não brigamos. Não nos despedimos. Foi só um até mais! Passado algum tempo, eu superei todas a músicas que me faziam lembrar de você, caminhei sozinha rumo ao colégio, troquei a música que me acompanhava nesse trajeto várias vezes. Superei a sua partida. Os anos se passaram, você caminhou assim como eu. Nos encontrávamos sempre, nas festas, no colégio. Só um “Oi”, e nada mais. Sei que pra nós era melhor assim. Evitava relembrar um turbilhão de sentimentos. Se hoje você estivesse aqui, eu diria tudo e faria tudo de novo. Nossas brincadeiras, nossa risadas. Acho que isso ficará pra sempre, na minha e na sua memória. Só não consigo entende o porquê não acreditava em tudo o que disse. Saiba que nunca fui de demonstrar nada, não era só com você. Sou assim. Gosto do meu jeito, mas quando gosto, acredite o sentimento é verdadeiro. E se enfrentei todos, da minha maneira, é porque queria você aqui, do meu lado. Acho que não foi suficiente. Mas acredite, foi verdadeiro. Aqui continua a mesma bagunça, no quarto, no coração a única coisa que nunca foi bagunçado foi o sentimento que tenho por você! Ele continua aqui, bem guardado!


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